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Não confundir com Stendhal. É mesmo Estendal, esse apuradíssimo instrumento de aferição civilizacional.
Parece-me um ponto de partida simples e limpinho. É uma atitude que muito aprecio e lá vou tentando exercitar. Nem sempre consigo, que as boas intenções são coisas que resvalam para o inferno com alguma facilidade, como toda a gente sabe; e existem criaturas em cuja órbita não há condições de salubridade para o salutar exercício da cordialidade, a saber:
- pessoas com egos de envergadura superior à da maioria das galáxias conhecidas;
- pessoas que colocam hífens quando conjugam o pretérito perfeito do indicativo;
- a tia-avó Luzia, que nunca fecha a boca - mesmo quando come - e nos brinda sistematicamente com perdigotos multi-sabores e a quem ninguém pede para passar a travessa no almoço de Natal;
- pessoas que entendem que as suas metáforas religiosas sobre o Bem e o Mal são melhores que as metáforas dos outros;
- oportunistas promíscuos que descaradamente se apropriam de bens alheios e ainda conseguem afirmar sem enrubescer que são os pretos /os ciganos / os doentes / os velhos que levam o país à penúria;
-todas as pessoas que vivem em constante estado de graça / amor / paz / luz / esperança / superação - e sobretudo todas as pessoas que desajuizadamente alimentam e validam estes delírios.
- a vizinha Adelaide, que cuida padecer de todos os males do universo e arredores, a quem nenhum morador avisado se atreve a colocar a cordial questão “como está?”, sob pena de ser contemplado com a discriminação penosa e detalhada do compêndio de patologias médicas de A a Z.
- pessoas que procuram desesperadamente um lugarzinho debaixo de um holofote, mas que posteriormente choram indignadas lágrimas de sangue, enquanto raspam das lantejoulas as nódoas de tomate podre, maldizendo a plateia ingrata, cobiçosa e ignorante.